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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Escuro

julho 11, 2016 1
    
    Um dia me apaixonei pelo escuro,
    sem saber dos seus perigos.
    Sem querer, me viciei no escuro
    e já não conseguia sair de lá
    E um dia me perdi no escuro, 
    e gritei, e pedi socorro e chorei
    Me calei, engasgada, sufocada
    pelo escuro.

   Tentei sair do escuro, 
   mas quando há luz, ele sempre volta
   É difícil respirar, é difícil levantar e pensar.
   É difícil seguir...
   E no escuro tenho ficado, 
   sem janelas, agoniada.
   GRITANDO mudo.
   
  Estou perdida no escuro,
  já não sei como pedir socorro,
  ele me consome, a cada segundo.
  Silêncio, que me ensurdece.
  Amarrada, parada
  Socorro, aq... 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O corpo e a Alma

dezembro 16, 2015 0
    Havia um aperto em meu peito. Eu estava presa em uma caixa de vidro. A caixa de vidro estava em um quarto escuro. Eu estava sem chance alguma de sair. 
    A cada minuto minha respiração ficava mais pesada e me fazia sentir como se não tivesse mais lugar para mim dentro do meu próprio corpo. Eu estava me perdendo por falta de espaço. Então gritei a todo pulmão e ninguém podia ouvir-me, bati no vidro e tentei voltar para dentro de mim, mas meu corpo já não se encaixava mais, eu havia mudado de forma e textura. 
    Nos dias em que se seguiram, enquanto estava trancada fiquei observando o que costumava ser eu caída a meu lado, me trazendo calafrios, medos e uma tempestade de incertezas. Eu tentava sair, gritava, chutava e me jogava contra as paredes da caixa. Eram tão sólidas e as batidas de minha alma contra o vidro, abriam feridas no que restara de mim.  
    Mais alguns dias se passaram e minha antiga carne entrou em estado de decomposição e naquele momento, quando o cheiro de morte começou a se espalhar uma certeza se iluminou em minha cabeça. Eu iria morrer. Eu queria morrer. Toda vez que eu pensava em como sair da caixa, eu pensava em uma maneira de morrer, e cada vez que pensava na morte, uma paz imensa se aconchegava em meu peito, quase como se minha vida fosse começar depois que eu morresse. Com o tempo a morte passou a ser minha melhor amiga, pois embora, ela se rejeitasse a me levar de uma única vez, todo dia ela voltava e me fazia companhia, me contava histórias e ao fim de nosso encontro, levava um pedaço de minha alma. A morte fazia parte de mim agora, eu respirava, transpirava e cheirava a morte. A caixa de vidro estava cada dia menor e em um dia ela estaria tão pequena que a morte teria de me levar com ela e eu estava contando os segundos. Mas um dia a morte não apareceu. 
     O que apareceu foi outra caixa e em seu interior, com olhos arregalados e um jeito de quem não dormia a dias, ou quem sabe anos, havia um corpo. Parecia maltratado e esquecido de canto, a alma que o habitava, se escondia, mas aos poucos foi saindo para conversar com a minha. A morte parou de me visitar. Eu sentia sua falta, eramos boas amigas, mas o que habitava aquela nova caixa me trazia ainda mais calma e paz do que pensar na morte. Era uma paz boa, do tipo que eu nunca havia sentido e a cada dia que passava mais tempo eu precisava passar com aquele corpo e sua alma tímida. Minhas feridas estavam se curando e sentimentos bons tomaram conta de minha caixa. Eu queria fugir dali e trazer aquele corpo comigo. Eu era alma e ele era o corpo, podíamos se tornar um se ele sentisse o mesmo, mas a distância formada pelos vidros, tornavam nosso amor impossível. Sem perceber estávamos cada vez mais próximos e mesmo sem poder se tocar, já eramos um ser só. A cada dia que passa os nossos vidros vão se rachando, levando o amor de um para o outro e quando finalmente estiverem juntos, sem vidros, estarão completos, o corpo e a alma.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O Aviso

dezembro 14, 2015 0
    Maria observava a cidade passar diante de seus olhos, através do vidro de um café bem localizado, no centro. Via os carros passar e deixar apenas os rastros de luminosidade dos faróis, estava ficando tarde, e Maria sabia. 
     Era passado das 23 horas e o café estava para fechar, ao ser convidada a se retirar, Maria pagou seu café e sorriu com gentileza, agradeceu pelo atendimento e desejou felicidades ao atendente e disse-lhe para  tomar cuidado ao voltar para sua casa. Confuso e sem saber sobre o que aquela senhora falava, o atendente sorriu de volta e agradeceu, ficou observando a velha Maria ir embora junto com as luzes do estabelecimento. 
      Depois de caminhar por duas quadras, Maria olhou para trás e observou aquele lugar que tanto amava e no qual passou os melhores dias de sua vida, fora lá que conheceu o amor de sua vida, o mesmo lugar onde mais tarde ele pediu-a em casamento. Sorriu mais uma vez, sabia que seria a última vez. Seu marido havia morrido há três anos, no final da  guerra em 1945. Ah se ele estivesse aguentado mais alguns dias. Foi uma das últimas vidas perdidas. Agora Maria sabia, sua hora havia chegado, sem filhos, nem netos, Maria vivia seus dias de uma longa solidão, mas não desistiu, sabia que não devia estar naquele lugar, naquela hora, mas algo dentro de seu coração dizia que ali onde conheceu e amou seu marido, seria também o lugar do reencontro. Estava nervosa e seus olhos cheio de lágrimas, já sentia a presença de seu amor mais perto e quanto devaneava Maria ouviu um grito e ao olhar para trás encontrou o atendente do café, estava sendo assaltado.
      A senhora já não conseguia mais correr como antes pois já estava com seus 45 anos, havia passado dois anos da esperança de vida da época, e as doenças cardíacas estavam consumindo sua saúde. Então sem pensar a senhora foi em direção ao assalto e ao chegar lá piscou para o atendente e levou o dedo aos lábio, pedindo para esse fingir que ela não estava ali. Em silêncio, pegou uma pedra solta da rua e jogou-a na cabeça do assaltante,  pelas costas, deixando- o tonto, dando assim, tempo para o atendente sair correndo em disparada, com um agradecimento desesperado, deixando a velha Maria para trás por pedido da própria. 
      Enquanto corria em direção de sua casa, o jovem pensou em sua família e seus filhos e também pensou em como Maria havia avisado para ele se cuidar ao sair de seu trabalho, e ficou imaginando, como aquela velha sabia de que algo iria acontecer. Ficou pensando no que iria acontecer a pobre velhinha que como um anjo tinha salvado sua vida e junto com ele o sustento de sua família. Ouviu um tiro. Congelou. Correu mais rápido e naquele momento sabia que Maria não tinha mais vida, ele nem pode agradece-la como merecia, correu mais rápido e mais rápido e misturadas ou suor começaram a cair lágrimas salgadas pelo seu rosto, diferente da tristeza amarga que sentia. Quis voltar no tempo e tentar ajudar a senhora, pensou nas pessoas que essa poderia estar deixando para trás e enquanto corria com sua dor e culpa o atendente olhou para o céu pois tinha certeza que era para lá que aquela boa senhora estava indo. 
         Ao olhar para o céu uma brisa suave e quente sobrou em rosto, sentiu-se beijado e naquele momento viu algo incrível, a senhora que fora vitima do cruel crime sorria para ele e ao seu lado estava um senhor, parecia um soldado, os dois sussurraram para o rapaz um agradecimento e juntos de mãos dadas, abriram suas asas e voaram em direção ao céu, para viverem juntos pela eternidade.
         Maria já não pensava ser tarde para nada, pois agora era um anjo. O atendente sabia que fora aquele senhor que alertou Maria para o que aconteceria a ele. Era só um chamado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Carta a quem machuca

outubro 08, 2015 0
Dia 3 - A partir da próxima frase que ouvir 
  
    "But you can do better than that" eu cantava a todo pulmão acompanhado a música em meus fones, nunca achei que aquela música faria tanto sentido para mim quanto naquele momento.
      - É você poderia fazer melhor que isso. - A música dizia, enquanto parei em frente ao espelho, coloquei a mão em meu rosto e mais uma vez comecei a chorar sem parar. Quando toda essa insegurança vai ir embora e me deixar ser feliz? Porque eu me sinto ameaçada e triste? 
       Eu sei por que, por que quando há lembranças boas de coisas que tiveram fim acompanhadas de saudade, podem machucar e trazer vontades de um replay que é melhor não acontecer, mas como saber se essas saudade é verdadeira ou apenas uma vontade de tacar tudo no fogo mais uma vez e fazer arder as feridas já cicatrizadas?
        Ao mesmo tempo, eu sei o quanto estou sendo hipócrita ao pensar assim, sinto saudades também e com um estalo de dedos tudo voltaria a ser como era antes de algumas pessoas me deixarem, mas sei que não vale a pena tentar de novo, é você pode fazer melhor que isso. Porque é tão difícil de ver as cicatrizes que você abriu em quem diz amar, sendo curada por outra pessoa? 
        Foi tão difícil no inicio, estávamos machucados e aprendemos a curar um ao outro, mas sempre restam danos, e sei que essa insegurança que me faz chorar ao olhar no espelho é causada por essa saudade que não quero ter dele, mas que já senti de alguém que assim como você também abandonou um coração. Então por favor não queira voltar agora que ele está bem e abrir novas feridas. 
       - Você pode fazer melhor que isso - Dizia a música pela última vez antes do acorde final.